quando você libera alguém da sua vida (em todos os sentidos: emocional, espiritual, afetivo) você se torna uma pessoa melhor. você tem paz. você consegue olhar para trás e desejar ter vivido a mesma intensidade. porque agora não dói mais. porque agora a dor é uma flor no asfalto e sua memória é macia como os dias do outono. liberar alguém da sua vida significa dizer a ela que ela não tem mais o poder e a força que outrora tinha; e que não há peso, nem culpa, nem nada: só os dias que virão repletos de mansidão.
eu me levantava do lugar onde estávamos e fazia um sinal de que ali seria a nossa última vez
a última vez em que nossas almas sentiam o perfume uma da outra, a última vez em que discutíamos por causa de astrofísica, a última vez que cantávamos uma música da Beyoncé, a última vez em que eu me sentia a pessoa mais segura-forte e prematura no mundo
eu sabia que a partir daquele ponto; daquela rua; daquela noite iluminada; daquela sua feição de que não daria mais certo se ousássemos ultrapassar aquele dia; eu sabia que havia morrido a flor mais bonita de dentro do meu jardim suspenso
e você se foi.
Amor foi todas as vezes que te quis quentinho perto de mim porque lá fora fazia sol e o Domingo parecia mais confortável se você, no ápice da minha quentura, se sentisse apaixonado o suficiente para falar no meu ouvido que preferiria o calor neolítico do meu abraço a qualquer outro movimento interestelar da terra.
Mas você não estava apaixonado e hoje parece uma segunda-feira normal.
saudade é só a certeza de que tudo que você sentiu, sentiu pra sempre. além do tempo e além da falta. saudade é o amor resistindo, se transformando, se adaptando
e então vira dor ou mais amor
saudade transforma qualquer história em membro. parte do corpo que jamais se parte.
então chora, viu
mas cuida da tua saudade
amor não se esquece amor não se apaga
/amor se converte









